terça-feira, 1 de maio de 2012

76- QUANDO TE ELEGI MEU AMOR: Sobre Amor e Autoestima.



Quando te Elegi Meu Amor
(Texto de Kau Mascarenhas)



Quando te elegi Meu Amor era dia tamanho e o sol já cansado de trabalhar me convidava a tomar um refresco.
O calor de fora era pequenino comparado com o calor de dentro.
Luz brilhante da decisão de um momento; lâmpada acesa sinalizando direções novas.
Ouvi de dentro de mim que era bom e respondi que sim.
Não te elegi para sempre pois o sempre é um espaço de medrosos.
Daqueles que só aceitariam a beleza do crepúsculo se ele fosse eterno.
Como poderia exigir que fosses constante quando és cachoeira, raio e tempestade, bem como lago manso, luar sereno e calmaria?
Teu mudar me comove e me inspira. Enternece-me saber que teu interior é rico e contém tantas partes distintas.
Comungamos nisso também.
Ofereço-te a liberdade e instantaneamente ela se torna um presente pra mim.
Ofereço-te a vastidão e ela se abre à minha frente.
Ofereço-te o momento presente, garantindo que este minuto é inteiro. Muito melhor, portanto, que mil anos pela metade, ou feitos de presença obrigatória, desprovida de prazer e entrega real.
Quando te elegi Meu Amor era noite com grilos, corujas e apito de guarda em colóquio animado.
Estrelas emitiam luz boba que nem atravessava as nuvens do céu. Mas meu peito era todo espetáculo com milhões de cometas e astros em evoluções magníficas.
Não te pedi só pra mim. Como poderia querer que fosses menor do que és?
Eras de tantos antes de te eleger meu amor... eras presente de formas diversas na vida de tanta gente; já eras enorme, e essa tua dimensão foi que me fez te enxergar.
Depender de ti seria loucura. Querer-te sempre presente atendendo minhas carências seria insensato.
Vejo-te dividindo atenções e afeto, e ao invés de me torturar, me plenifico.
Aprendo com tuas repartições a me repartir igualmente e assim me agiganto.
Um dia do teu calendário, um minuto do teu sorriso, um toque da tua mão, um pensamento teu em minha direção, uma doce lembrança, um presente comprado sem data firmada em agenda, um carinho feito em palavras no papel ou na máquina... desde que inteiros para mim, têm um valor que só os que amam sabem alcançar.
Quando te elegi Meu Amor sabia que não haveria somente tu em meu coração. Que haveria dentro de meu peito outros hóspedes, e moradores. E sabia que era assim também que vivias. Até porque nunca me pediste para que te elegesse meu amor. Fazer isso foi decisão minha, e a responsabilidade pelo meu sentimento é minha.
Não somos mesquinhos. E sabemos do espaço que temos dentro de nós para abrigar e aquecer muitas almas.
Contudo, o lugar que reservei para ti é só teu.
Quando te elegi Meu Amor, escolhi que meu maior presente para ti seria ser eu mesmo, e procurar expandir-me em felicidade cada dia um pouco mais.
Ofereço-te hoje, portanto, a certeza de que sou feliz e de que me amo antes de tudo. É bom saber que o amor brota de mim e antes de sair em tua direção ele me inunda.
Saber me amar capacita meu coração a te amar também.
(texto de Kau Mascarenhas, www.proserinstituto.com.br)

terça-feira, 17 de abril de 2012

75- NOVAS TURMAS DO CURSO BÁSICO DE PNL EM SALVADOR

Olá, amigos! Abriremos duas turmas do Curso Básico de PNL aqui em Salvador em junho, e uma delas é excelente para aqueles que moram em outras cidades. Acontecerá em feriados prolongados de forma intensiva. Confira:www.proserinstituto.com.br


Curso Básico de Formação em PNL
Programação Neurolinguística

MOTIVAÇÃO | EXCELÊNCIA | LIDERANÇA | SUCESSO | EDUCAÇÃO | SAÚDE | VENDAS

Curso Básico PNL 2011

Como se pode chegar aos grandes objetivos da vida? Como fazer aliados na caminhada até os grandes propósitos e missões? A PNL vem respondendo essas e outras questões essenciais do ser humano e transformando pessoas e organizações de todo o mundo. É uma nova tecnologia do agir e do pensar que proporciona uma compreensão maior do funcionamento da mente, equilíbrio emocional e mais saúde nos aspectos físico, mental e espiritual. Também vem demonstrando que o sucesso começa por uma atitude interior. O sucesso vem de dentro.
Devido a sua grande abrangência, participar do Curso Básico de PNL pode ser o ponto disparador de um processo de crescimento bastante significativo.

OBJETIVO: Este curso se aprofunda nos principais conceitos e técnicas da PNL, e se propõe a preparar os participantes para usá-los em sua vida pessoal e profissional.

Venha aprender como atingir resultados surpreendentes com técnicas comprovadamente eficazes!

Curso Básico PNL 2011

CURSO BÁSICO DE PNL

TURMA 01: 4ª FEIRA À TARDE, das 14 às 19:30h. Em apenas dois meses e meio você conclui sua Formação PRACTITIONER Fase I. Ideal para quem tem disponibilidade de apenas uma tarde durante a semana.
CALENDÁRIO:
JUNHO: 06, 13 e 20
JULHO: 04, 11, 18 e 25
AGOSTO: 01, 08, 15 e 22
Obs.: Encerramento dia 22/08/12 quarta das 14 às 19:30 h, em um recanto ecológico!

TURMA 02: INTENSIVO COM FERIADOS, das 8 às 18 h! Em apenas dois módulos com feriados, você conclui sua Formação PRACTITIONER Fase I. Ideal para pessoas de outras localidades e quem não tem disponibilidade durante a semana.
CALENDÁRIO:
JUNHO: 07, 08, 09, 10 e 30
JULHO: 01 e 02
Obs.: 07 de junho feriado de Corpus Christi e 02 de julho feriado da Independência da Bahia.
Encerramento no feriado de 02 de julho, das 8 às 17 h em um recanto ecológico!

TEMAS DO PROGRAMA:

  • O que é PNL
  • Mapas de Realidade.
  • Definição de Problema / Formulação de Objetivos
  • T.O.T.S – Estrutura Primária da Excelência
  • Sistemas Representacionais: Visual, Auditivo e Cinestésico
  • Ampliação dos Canais Perceptivos
  • Desejar / Querer / Planejar / Fazer / Ter
  • Níveis de Aprendizagem e Transformação
  • Abertura e Flexibilidade para Transformações
  • Círculo da Excelência
  • Rapport: Criando Harmonia e Sucesso nas Relações Interpessoais
  • Persuasão e Influência / O Poder da Comunicação
  • Separando Intenção de Comportamento
  • Padrões de PNL para Transformações
  • Ancoragem / Utilização dos Recursos Internos e Estados Úteis
  • Mudança de História Pessoal
  • Conversando com as Partes Internas ou Subpersonalidades
  • Ressignificando: Transformando dificuldades / Reestruturações Úteis
  • Metamodelo de Linguagem: Precisão e Qualidade na Comunicação
  • Estratégias de Criatividade

Local do Curso: PROSER INSTITUTO - Rua Arthur Gomes de Carvalho, 421 Pituba,
Obs.: (rua atrás da Delicatessen Superpão da Av. Paulo VI).

Carga Horária: 60 horas

Instrutores: Kau Mascarenhas e Liane Pinto


CONDIÇÕES ESPECIAIS DE PAGAMENTO COM DESCONTO

À vista R$ 1.590,00 (valor com 10% de desconto)
2 X R$ 810,00
3 X R$ 550,00
4 X R$ 420,00
5 X R$ 345,00
6 X R$ 295,00
Ou consulte outras opções de parcelamento em até 10 vezes no cartão

OBSERVAÇÃO:O valor inclui a taxa de encerramento num recanto ecológico, todo material didático com apostila e textos, pasta e coffee breaks em todos os encontros. O certificado será emitido no final do curso.


INFORMAÇÕES: Tel. (71) 3347-3939 / 8835-9090 OI / 9144-8765 TIM / 8330-4079 CLARO

Site: www.proserinstituto.com.br
E-mail: adm@proserinstituto.com.br

REALIZAÇÃO:

APOIO:

Proser Instituto


segunda-feira, 26 de março de 2012

74- CINE-COACHING: CONSIDERAÇÕES SOBRE O FILME "PODER ALÉM DA VIDA"


(por Kau Mascarenhas)

Os links do filme “Poder Além da Vida” com nossos estudos e experiências na área do Coaching se evidenciam do início ao fim da película.

O jovem ginasta Dan Millman tem um objetivo muito bem traçado que é conseguir se classificar para os jogo olímpicos, e acredita que seu valor está relacionado com a concretização desse sonho. O aparecimento do misterioso velho sem nome, pode ser visto como uma metáfora do coach que se encaixa na vida do coachee, trazendo as ferramentas e o método mais adequados ao desenvolvimento do seu potencial e aos questionamentos de suas crenças, para que possa se auto-realizar, seja na obtenção daquilo que busca ou na construção de novas metas. Não é à toa que o rapaz o apelida de “Sócrates”, numa referência direta ao icônico filósofo grego criador do processo maiêutico de fazer perguntas, e que pode ser visto como uma das bases ancestrais do coaching.

Perguntas poderosas se mostram em seus diálogos desde o início tais como: “Você é feliz?”, e “Se não conseguisse ser classificado para a olimpíada, o que você faria?”, que têm um intuito absurdamente provocador em relação àquilo que Dan tem como certezas. Por outro lado, o sábio idoso também o presenteia com aforismos que lhe dão agulhadas nas crenças como: “não há propósito maior que servir os outros”, “não quero que você aceite minhas respostas, quero que encontre as suas”, “não há momentos banais, sempre há algo acontecendo”, e “é a jornada que nos faz, não a chegada”.

Longe de ser um caminho simples e tranquilo todo o tempo, o relacionamento que os dois desenvolvem é cheio de tensões que se mostram sobretudo nos instantes de desacordo e rebeldia, como quando Dan pensa em desistir e fazer tudo a partir dos seus automatismos antigos, ou quando se revolta e exige respostas e orientações diretas. Como um bom coach, “Sócrates” se mantém no seu papel e espera que o rapaz administre suas emoções, permitindo inclusive que ele cometa erros e aprenda a partir de suas próprias experiências. Um coach não pode e nem deve assumir a responsabilidade de proteger o coachee dele mesmo, mas abraça a causa de ajuda-lo a enxergar quem ele é, e mostrar que pode construir seu próprio caminho.

O pesadelo recorrente de Dan, em que se vê esfacelando a perna, acaba por se concretizar num acidente de moto. Trata-se do momento mais duro de sua vida e ao mesmo tempo aquele que lhe traz maior riqueza de aprendizado. O sábio idoso continua a seu lado, reforçando em suas lições o quanto é importante reconhecer os adversários dentro de si mesmo como arrogância, vaidade, medo, competitividade, orgulho, desregramento - armadilhas do Ego a impedir o cumprimento de nossa missão de vida. No filme a cena que melhor ilustra essa luta, para mim, é aquela em que Dan discute com seu Eu Mundano no alto da torre em uma de suas visões. Esse seu “outro eu” pode ser visto como a representação das subpersonalidades sabotadoras que impedem o acesso aos recursos oferecidos pelo Eu Sagrado.

Aprendendo a esperar, a agir e a estar no Presente, saboreando cada passo de sua estrada seja ela carregada de dor ou de prazer, tendo em mente a tríade ensinada por “Sócrates” – paradoxo, humor e mudança - Dan finalmente se recupera dos ferimentos provocados pelo acidente e empenha-se em resgatar sua competência através de árduo treinamento, tanto físico como mental e emocional.

Assim, contraria os sombrios prognósticos dos médicos e do técnico de sua equipe, personagem esse que aparece como contraponto, representando muitos aspectos daquilo que um coach não deve ser ou fazer.

No final, Sócrates desaparece de forma intrigante.

O sumiço físico do idoso pode ser entendido como o instante em que o processo de coaching termina, uma vez que o coachee atinge sua meta. Não é papel do coach permanecer lado a lado com seu cliente eternamente, criando dependência. O coaching pressupõe desapego em dupla mão, e o que o coach mais quer é que seu coachee tenha autonomia para reger sua própria vida, e possa seguir seu caminho.

Isso me remete a um poema de Mário Quintana em que ele diz que “os portos foram feitos para os barcos, mas os barcos não foram feitos para os portos”. Sim, nós, no papel de coaches fomos feitos para os coachees; mas os coachees não foram feitos para ficar ancorados em nós. Devem seguir os mares dos seus destinos, mirando os largos horizontes dos seus próprios sonhos.

Na cena final percebemos que, mentalmente, o jovem já possui uma espécie de coach interno, como se seu próprio Eu Sagrado estivesse a dialogar com ele com a voz do idoso. E ouvimos então o valioso diálogo, tão importante quanto sintético:

- Que horas são, Dan?

- Agora.

- Onde você está?

- Aqui.

- O que você é?

- Este momento.



Assista ao filme clicando aqui http://www.youtube.com/watch?v=tQnkFvhSzgk

Kau Mascarenhas é Master Practitioner e Trainer em PNL, consultor, conferencista internacional, e atende individualmente como coach.

www.proserinstituto.com.br

domingo, 25 de março de 2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

72- EXPERIÊNCIA DE CONTEMPLAÇÃO

O UNIVERSO ESCONDIDO NO BANAL: Contemplando um Pedacinho de Chão
(Kau Mascarenhas)

Contemplar o simples, devassar o aparentemente menos interessante, descobrir a beleza onde a beleza se esconde e se faz menos provável.

Essa foi a minha escolha para um exercício de contemplação com duração de duas horas, em meu curso de formação de Coaching. Farei um relatório da experiência em tempo presente pois estou anotando todos os insights que brotam.

Uma aranha pequeníssima constrói sua teia bem ali, perto dos meus pés, entre algumas folhas de grama. Seus fios são invisíveis. Logicamente, apenas para mim. Observo o transitar de suas patas ligeiras e como o soprar do vento a faz tremer de quando em quando.

Ela pára, paciente e repete seus movimentos entre as folhas tão logo o vento cessa. É incansável.

Eu me pergunto se, de alguma forma, um olhar maior estaria a se deitar sobre mim e meu trabalho, assim como faço com a aranha.

Quem sabe sou o inseto de um observador cósmico que, assim como eu, nota o que faço e como eu vivo, sem interferir.

Talvez Deus aprenda conosco, nos observando igualmente e por isso seja infinitamente sábio.

As infinitas ações de seus infinitos filhos, sejam boas ou más, ou neutras, quiçá, podem servir para que se agigante eternamente em seu saber. E assim, quem sabe, Ele aprenda nos dando lições, simplesmente estando presente.

Passou-se uma hora inteira de contemplação e a teia permanece invisível para mim, tal a delicadeza de seus fios. Sou míope para a percepção do que ela quer de verdade, e do que ela faz.

Tenho contato com sua ação mas não sou capaz de captar seus resultados.

É a ela que eles pertencem de fato. A vida é dela.

A paisagem maior quer me seduzir agora. As flores de hibiscus brilham seu vermelho intenso sob o sol, beijadas por amarelas e ágeis borboletas. Um garboso cavalo marrom pasta e relincha a cerca de vinte metros. O galo canta um pouco mais longe. O verde da mata, poderoso, cobre a colina e suga meu olhar. O grande interfere na minha observação sobre o pequeno.

A beleza fácil e óbvia me desvia o olhar que quero lançar sobre o microcosmo eleito pelo meu Eu Sagrado para ser o alvo de minha contemplação. E a ele retorno, humilde, pedindo desculpas à minha pequenina aranha, a mestra que se mantém em plena ação.

Curiosamente noto que ela baila no ar, bem perto da barra da minha calça. Aproveitou meus poucos segundos de distração e já queria me incluir em seu projeto de teia.

Afasto a perna e ela retorna a suas folhas na grama, sem qualquer perturbação.

Formigas trabalham nas imediações e me pergunto se elas serão o almoço de minha amiga de oito patas. Minha mente viaja aos tempos de menino quando atirei pequenos insetos na teia de alguma aranha. Era impressionante ver sua destreza em sentir o prisioneiro a partir da vibração de seus movimentos nos fios. Lançava-se em sua direção e começava agilmente a cobri-lo com teia deixando-o envolto numa espécie de casulo para mais tarde retornar e poder devorá-lo.

Não. Não farei o mesmo agora. Minha postura é contemplativa, e a curiosidade da criança que ainda habita em mim cede espaço à observação neutra do adulto, que agora quer aprender sem interferir.

Mais uma vez me dou conta de que minha mente saiu desse momento, perdeu o foco, e mergulhou no passado. Respiro e retorno ao ponto de meu interesse. Um pedacinho do chão, com mais ou menos trinta centímetros quadrados de grama, que agora são o palco do espetáculo que a vida me convocou a assistir.

Olho para baixo e procuro o cenário.

Que surpresa! Sinto-me abandonado, a aranha sumiu. Traiu-me.

Quem ela pensa que é? Isso não é justo. A teia continua se apresentando quase invisível, e sua dona não mais ali se encontra.

Investigo cada pedacinho das folhas de grama, perscrutando cada centímetro e não a localizo.

Talvez seja o instante de observar a ausência e como ela ensina.

O vento traz um pedacinho de grama seca e ele se prende num dos fios. Movimenta-se agora ao sabor do vento e me oferece um inusitado balé. Ele gira, tremula, rodopia em torno do fio. Na ausência da dona da casa o pedacinho de grama reina, tomando completamente meu olhar. Ele é o astro.

Outro lampejo, novo aprendizado. Tudo muda embora o cenário seja o mesmo.

O vento sopra agora mais forte e me pergunto com sanha de roteirista de cinema: qual será o desfecho dessa história? Haverá um gran finalle após essas duas horas de contemplação cujo encerramento se aproxima? Algo mais interessante acontecerá para gerar um “uau!” na plateia constituída de todas as minhas subpersonalidades? Afinal terão sido 120 minutos de observação cuidadosa, de um olhar resignado, constante e ávido por lições.

Um pedacinho de gramado, que certamente foi desconsiderado e pisado inúmeras vezes por pessoas e animais, agora mereceu ter a atenção absoluta de um ser humano que o vê como fonte de aprendizado e atinge status de tema para uma crônica.

A aranha voltará? Um inseto se prenderá em sua teia? O bailarino pedacinho de grama seca se descolará ou fará circunvoluções ainda mais extraordinárias?

Mais uma vez noto que algo me tira do presente. Dessa vez é o pensamento no futuro, no que vai acontecer, em vez de observar o que está acontecendo. Para que fugir do agora? O final será o que tiver que ser e trará aprendizado igualmente rico.

Respiro fundo e retorno ao presente, o único tempo que de verdade é meu.

Contemplar silenciosamente o ponto que escolhi se mostra, de fato, um exercício mais desafiador do que pensei, e certamente mais transformador do que jamais poderia imaginar.

Aquieto-me e aguardo pacientemente os últimos minutos da experiência. Nunca pensei que dedicaria na minha vida duas horas inteiras a olhar um pedaço de gramado, sentado numa calçada de cimento, quando o espaço da fazenda ao meu redor é tão cheio de possibilidades de exploração dos sentidos.

O despertador me sinaliza o término do tempo.

Penso que estive na companhia de bons mestres. A aranha, o vento, as folhas da grama... aprendi muito, descobri potencial, e nem todas as lições foram captadas de forma consciente.

Uma sensação importante: o contentamento em perceber que posso asserenar a mente e focá-la naquilo que eu quiser, mesmo que momentaneamente não me sinta tão motivado para essa canalização de foco.

Foi bom fazer silêncio e ficar em minha própria companhia, retirando do todo ou da parte, do macro ou do micro, os recursos e o aprendizado que há em toda e qualquer coisa.

Foram duas horas em que simplesmente estive ali, exercitando tão somente o fato de ali estar - e de doar integralmente a minha presença.

Que bom ter me permitido viver isso.


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Kau Mascarenhas é consultor e conferencista, Master Practitioner e Trainer em PNL, Life e Executive Coach, diretor do Instituto PRO-SER com sede em Salvador - Bahia. É autor do livro "Mudando para Melhor". Conheça mais: www.proserinstituto.com.br

quinta-feira, 8 de março de 2012

71- RECONHECENDO O PODER DA MINHA MÃE, HOMENAGEIO TODAS AS MULHERES EM SEU DIA


"- Meu filho, eu tenho preguiça de me aborrecer." Essa era uma frase que minha mãe dizia com frequência. Ela simplesmente não conseguia entender qual o sentido do mau humor crônico de algumas pessoas ou o porquê de se ficar reclamando e brigando constantemente por uma coisa que considerava pequena.

"Marina Sorriso" é um apelido carinhoso que algumas pessoas lhe deram. De forma bem acertada. Enfrentou o câncer de duas das suas irmãs, e do meu pai, sendo companheira inseparável, e bravamente lidando com os desdobramentos da doença, dando-lhes todo o suporte que podia.

Chorou, caiu e se reergueu quando a Sabedoria Maior resolveu levá-los desse mundo.

Sempre generosa, se mostrava presente para aqueles amigos e familiares que precisavam de atenção e ajuda. Cuidava do outro mas não descuidava de si.

Sempre muito bela, irradiava vitalidade por toda parte. Há seis anos vive com as sequelas importantes de um AVC que lhe deixou com o hemisfério cerebral esquerdo quase completamente comprometido.

Seu vocabulário hoje se resume a 15 palavras, mas sua expressividade não verbal fala tudo o que ela precisa comunicar. A mobilidade do lado direito do seu corpo é quase inexistente, mas sua força interior está em plena ação na forma como acorda disposta quase todos os dias e se coloca diante da vida.

Ela é minha professora de felicidade.

Reconhecendo o poder da minha mãe, homenageio todas as mulheres em seu dia, e ouso repassar-lhes seu conselho: tenha preguiça de se aborrecer.

Mantenha-se firme, tudo passa, menos as rugas do ressentimento, da falta de paz e da intranquilidade. Elas ficam impressas no rosto e na alma.

Procure sua harmonia e seu bem estar, portanto.

Você já é abençoada com todas as maravilhas que o Criador pôs no coração humano. Tenha preguiça de se contrariar, dirigindo seu olhar para o que é positivo.

Por isso, não importa o que aconteça, siga com bravura e conserve o seu sorriso. Sobretudo o sorriso de dentro.

Parabéns por hoje, por ontem e por amanhã.

Parabéns por ser quem é.

(Kau Mascarenhas / foto minha, aos 3 anos, com minha mãe)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

70- DESEMPREGO?


NÃO EXISTE DESEMPREGO. EXISTEM DESEMPREGADOS.
(texto e ilustração de Kau Mascarenhas)

Para entender essa realidade basta observar a atitude mental de cada pessoa que se encontra momentaneamente sem ocupação profissional. Ela invariavelmente acaba por determinar sua relação com o trabalho e com a prosperidade.
Onze orientações que certamente trarão resultados:

1- Se você está sem emprego, não queira emprego. Queira trabalho. Assim abrem-se possibilidades maiores. Quem sabe você pode ser um empreendedor autônomo? E mesmo que esteja contratado numa empresa, mantenha em mente a postura de alguém que é sócio, e que quer resultado e qualidade, e não apenas bater ponto e receber salário.

2- Acorde cedo pela manhã. Aja como alguém que trabalha mesmo que não esteja empregado. Ficar na cama sentindo pena de si mesmo não ajudará em nada. Procure criar algo positivo, estudar, ler, ajudar pessoas. Coloque-se à disposição da vida mostrando que é capaz. Um serviço voluntário também pode ser excelente opção para expor sua competência e para aumentar seu capital humano, levando-o a conhecer pessoas. Quando você oferece algo de positivo para a vida, a vida procura retribuir. É uma lei universal.

3- Obtenha feedback dos que o conhecem acerca da sua empregabilidade. Procure conversar com pessoas lúcidas e sinceras, que sejam amigas o suficiente para ajudá-lo a entender o que acontece com você. Ouça com atenção sem retrucar, ou nada do que elas lhe disserem será aproveitado. Lembre-se de que nem tudo o que lhe dizem faz sentido, mas faz sentido ouvir com atenção tudo o que lhe dizem. Depois você poderá filtrar aquilo que é valioso do que não serve para impulsioná-lo em seu crescimento.

4- Cuide-se. Sua imagem é algo importantíssimo tanto para obter um emprego como para desenvolver um negócio próprio. Uma aparência de derrotado ou desleixado não ajudará em nada a sua recolocação no mercado. Será muito valioso mostrar-se como alguém de sucesso antes de ter o sucesso.

5- Peça licença à vergonha e bata à porta daqueles que podem lhe dar boas chances. Todos nós sabemos como o orgulho e a vaidade podem prejudicar bons contatos. Por mais que seja difícil, empenhe alguma energia na busca de entrevistas, ou até conversas informais no âmbito social. Onde possa expor sua situação real. Fale a respeito do seu interesse em fazer parte do quadro da empresa. Coloque-se como alguém que tem algo a oferecer e que está, no momento, disponível.

6- Tome cuidado com as pessoas do bueiro. Sim, há dois tipos de gente que aparecem com frequência quando estamos desocupados: pessoas do bueiro e pessoas da arquibancada. As do bueiro querem arrastar você para baixo e usarão de todas as artimanhas possíveis para deixá-lo por lá. E não farão isso por mal. Elas apenas querem sua companhia. As da arquibancada são aquelas que procuram empurrá-lo para frente, dando oportunidades e torcendo para que você cresça. Cabe a você identificar quem é quem e ficar mais tempo na companhia das que podem ajudar verdadeiramente.

7- Seja ético. Nada mais importante do que ser verdadeiro, honesto, e ter uma postura de lealdade com todos aqueles que estão ao seu redor. Comece em casa. Esse será um grande exercício. Como alguém pode se tornar um bom profissional quando não é uma boa pessoa? Sejamos bons pais, mães, filhos, filhas, amigos, amigas, vizinhos, cidadãos.

8- Procure fazer algo que realmente gosta. Ainda não sabe? Descubra urgentemente. A satisfação profissional é um valiosíssimo elemento de sucesso na carreira. Quando alguém acorda pela manhã para se dirigir ao local onde trabalhará por horas sem ter em si o combustível do prazer, fatalmente mostrará sua contrariedade e seu desânimo. Isso contagiará os que estarão a sua volta e criará um péssimo clima. Fazer algo que se gosta é fator de sucesso.

9- Projete o futuro com a mente. Crie construções internas nas quais você possa se ver já em atividade profissional lucrativa e energizante, e vibre com essas imagens. Algumas pessoas pensam que devemos alcançar objetivos primeiro para poder comemorar depois. Ledo engano. No cérebro a sintaxe é inversa. Comemore primeiro - internamente - para poder alcançar depois aquilo que busca. Celebre por dentro o futuro que ainda está por vir.

10- Confie. Saiba que a vida reserva grandes surpresas e espera que você esteja pronto para receber os presentes que ela vai lhe encaminhar. Confie no dia de amanhã. Ele será melhor que hoje se você estiver preparado. Confie na sua capacidade de aprender, crescer e mudar. Confie nos recursos que já estão em seu interior como coragem, força e disposição. Você segue alguma estrada espiritual? Confie em Deus. Ore. Peça. Movimente-se espiritualmente na direção do seu propósito.

11- Transforme sua confiança em ações e suas ações em hábito. Que tal começar agora?

Mude sua Vida. Conheça PNL.
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69- Reflexão

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

68- REFLEXÃO

Que todos os dons se manifestem, que todas as forças apareçam, que toda a luz se expanda. Não importa em qual contexto estejamos. Nossa alma é nobre, e somos maiores que as condições em que vivemos.

sábado, 14 de janeiro de 2012

67- HISTÓRIA PARA REFLEXÃO E CURA



A Menina e as Árvores

(texto e ilustração de Kau Mascarenhas, livro "Mudando para Melhor", ed. Altos Planos)


Era uma vez uma bela menina que vivia perto de uma floresta. Morava num pequeno chalé de madeira, ajardinado.

Ela gostava de olhar as plantas e árvores da mata e queria cuidar delas para que, um dia, a floresta se transformasse num jardim e fosse perfeitamente organizada e feliz, como ela sempre sonhara.

A mata possuía uma mangueira alta, uma goiabeira frondosa e um jambeiro bem encorpado. A menina retirava os gafanhotos da mangueira, arrancava a trepadeira que insistia em subir na goiabeira e retirava todas as ervas daninhas, que brotavam no chão, perto do jambeiro. Todos os dias ela se sentia na obrigação de fazer esse trabalho, pois não sossegaria enquanto a mata não estivesse perfeitamente organizada. Queria fazer o bem para a floresta, mas, no fundo, queria a perfeição em sua obra.

Quando a menina chegara até aquela região, o antigo dono das terras, um mago muito sério e respeitado, dissera-lhe que deveria "ser boa para ser feliz". Logo em seguida o mago se foi, desaparecendo em meio à névoa da madrugada. E ela entendeu que ser boa era cuidar de tudo e não deixar nada faltar.

Curiosamente, a menina tinha ouvidos mágicos, que escutavam a linguagem das plantas. Ouvia reclamações da mangueira que gritava: “Ai! Há muitos gafanhotos em minhas folhas!”. E lá ia a menina para eliminá-los. Ouvia a goiabeira dizendo: “Ora, mas que abuso! Essa trepadeira não se cansa de subir em mim. Desse jeito, vai impedir que o sol me banhe e vou acabar morrendo!”. E lá ia a menina para dar um jeito nisso também. Quando já ia descansar um pouco, escutava o jambeiro gritando: “Socorro! Olha quantas ervas daninhas estão nascendo aqui ao meu lado! Elas vão roubar os nutrientes da minha terra e ai de mim!”. Imediatamente, a menina saía para capinar o terreno e resolver mais esse problema.

O tempo ia passando e nunca a mata virava jardim — a perfeição não acontecia, porque perfeição não é pra acontecer mesmo. E também nunca as árvores paravam de se queixar e de chamar a menina, que já estava se sentindo muito enfraquecida.

Sempre havia uma sensação de frustração, pois parecia uma tarefa interminável, um cansaço grande tomava conta dela. Sobretudo quando as árvores brigavam entre si. A mangueira se irritava com as flores que o jambeiro jogava no chão. O jambeiro não aceitava a aparência dos galhos tortos da goiabeira, que, por sua vez, reclamava porque a mangueira tinha raízes espaçosas demais. Os desentendimentos eram tão freqüentes que a menina já não os conseguia controlar, e assistia às árvores arrancando as folhas umas das outras.

Um dia a menina percebeu que precisava de ajuda.

Havia uma tribo de índios ali perto com cinco sábios anciãos. Eram pajés, que acompanhavam a menina de longe, mas a amavam muito e queriam seu bem.

Quando a menina chegou até a aldeia para lhes contar sobre os problemas que vivia, os cinco pajés já estavam aguardando a sua chegada. A menina olhou para eles espantada, pois em seus olhos eles mostravam grande brilho, e ela sentia que eles tinham respostas importantes para ela.

Sentou-se então à frente dos índios. O mais velho de todos começou a falar:

— Menina, nós observamos sua vida e já sabemos o que lhe acontece. Vimos, na fumaça da fogueira sagrada, tudo o que vem passando e queremos encontrar, junto com você, novos caminhos.

— Que bom! Mas antes me deixe explicar que preciso cuidar da mata, das árvores. É meu dever fazer tudo ficar perfeito — disse a menina. — Quero também dizer-lhes da minha dor, pois as árvores não me deixam em paz. Não posso descansar, pois elas sempre me chamam… E me maltratam também.

— Nós já sabemos o que você vem fazendo. Como dissemos, já vimos seu passado e seu presente na fumaça da fogueira sagrada. Sabemos da sua dor, e ela é grande; e queremos mostrar-lhe caminhos para o futuro. Isso é o que nos importa.

A menina então silenciou. Era necessário silenciar e abrir-se para receber as respostas.

Os cinco índios sábios então lhe apresentaram, cada um a seu turno, um caminho:

— Primeiro caminho: Buscar a liberdade para si. A liberdade é um bem precioso. Você pode aprender com a natureza. O rio não se prende a regras. Se as chuvas forem muito fortes, ele transborda, sai do leito, muda o curso, alaga as regiões ribeirinhas. Se a estação for seca, ele diminui a vazão, desaparece quase, virando um riacho. Ele muda mostrando que é livre e flexível. Busque para si essa mesma leveza, essa liberdade, de às vezes ser diferente do que esperam de você; liberdade de mudar e de surpreender os outros. O rio nem sempre é bonzinho, e por isso mesmo ele é tão forte e respeitado.

— Segundo caminho: Buscar a liberdade para o outro. Ainda aprendendo com a natureza, saiba que tudo acontece no seu ritmo e no seu tempo. Um homem cheio de boas intenções resolveu ajudar uma linda planta a florescer mais rápido. Achava que se ficasse ao seu lado ela iria se nutrir com amor. Ele se aproximava, sentava-se ao lado da planta e conversava com ela. Às vezes, até cantava para ela. Passava horas e horas do dia ali, querendo ajudar sua planta a produzir as mais belas flores. Mas, ao contrário, as folhas foram se tornando mirradas e murchas, e nenhuma flor despontava. Foi aí então que ele percebeu que, por ficar tanto tempo ao lado da planta, estava impedindo que o sol a banhasse. Sim, ele estava jogando sombra sobre ela. Foi fundamental descobrir que era preciso deixá-la mais tempo sozinha. E só assim ela conseguiu florescer. Portanto, liberte as árvores. Abdicar do poder sobre o outro é saber desapegar-se e permitir que ele encontre luz sozinho também. Quando libertamos o outro, deixamos que também aprenda com seus próprios erros; permitimos que seu fluxo de crescimento aconteça.

— Terceiro caminho: Buscar o perdão para si. Perdoar a si mesma é ser auto-indulgente, abrindo espaço para uma vida mais feliz, dizendo com convicção: “Estou crescendo, quero aprender e mudar, mas não me obrigo a atingir a perfeição”. Os erros do passado ficaram lá atrás, numa curva do tempo. A natureza nos ensina que não vale a pena uma árvore chorar eternamente o fruto que deixou cair antes do tempo. Se assim ela fizer, não poderá olhar a beleza daqueles outros que já estão amadurecendo.

— Quarto caminho: Buscar o perdão para o outro. Perdoar não é esquecer. Mas é recordar de outra maneira. Às vezes, erigimos altares à mágoa e ao rancor. Permitir que se vá qualquer desventura é bênção preciosa, é atitude inteligente. O mal só nos alcança quando assim permitimos. Não é o outro que nos fere, somos nós que nos ferimos com algo que o outro fez. As mãos dos índios devem estar sadias, não podem ter ferimentos, quando vão extrair a seiva do pau-roxo, pois ela é venenosa. Mas se a seiva entrar no corpo de algum índio e ele adoecer por conta disso, não poderá responsabilizar a planta. O problema era a sua mão que estava ferida, aberta. Aquilo que alguém fez, deixemos no passado, que é o seu lugar, sabendo que só nos atingiu porque, de alguma forma, abrimos espaço para tanto.

— Quinto caminho: Esse quinto caminho não é algo para ser compreendido através de palavras. É algo para ser percebido com a alma.

E, dizendo isso, o velho pajé retirou um grande cristal mágico de uma cesta. E com a bela e reluzente pedra nas mãos, prosseguiu:

— Observe essa pedra. Ela não é o céu, mas reflete o céu. Ela não é a terra, mas reflete a terra. Não é o fogo, mas reflete o fogo. Guarde nas suas mãos o poder de ser o que você quiser, refletindo aquilo de que você se aproxima. Observando esse cristal, peça ao Alto que lhe derrame luz e paz para seguir em frente, construindo seu futuro. Você é a única pessoa que tem esse poder! Leve esse presente: o cristal do auto-encontro.

A menina, emocionada, ficou ali olhando o cristal enquanto os cinco índios se afastavam. E, através da pedra, ela pôde ver muita coisa. Era como se a sua percepção tivesse aumentado. Ela viu, por exemplo, que, de tanto dar atenção às arvores da mata, o jardim do seu próprio chalé estava abandonado. A pequena rosa, o lírio e o crisântemo estavam murchos e amarelados, tristes… Ela também viu em uma das faces espelhadas do cristal, que ela mesma merecia cuidados. Lembrou que sua vida era também um jardim precioso e que era o momento de dar a si uma boa dose de atenção. Ali, em meio a tantas descobertas, desligou-se das coisas por algum tempo. Olhando para o cristal mágico parou de escutar os gritos das árvores e sentiu-se pronta a percorrer os seus próprios cinco caminhos.

Depois de alguns dias afastada, retornou. Estava até curiosa em saber o que havia acontecido com a mata e as árvores em sua ausência.

Chegando de volta, notou que a mangueira tinha encontrado sua própria forma de espantar os gafanhotos, derramando seiva por sobre partes de seu caule. Havia feito tentativas e encontrou uma saída por si mesma. Não estava tão bonita como antes, mas havia se fortalecido e na próxima primavera não teria mais problemas com as pragas. Certamente voltaria a ser frondosa e bela como antes. A goiabeira, por sua vez, acabou permitindo que a trepadeira se instalasse em seu tronco, e viu que era possível ter essa inquilina em seu corpo. Não teria a mesma quantidade de sol sobre suas folhas, não brilharia sozinha, mas poderia permitir mais frutos à mata, pois a trepadeira era, na verdade, um pé de maracujá. De outro lado, o jambeiro viu que as ervas daninhas cresceram, mas não o ameaçavam de verdade. Havia terra para todos. As borboletas gostaram das ervas que nasceram, pois tinham flores. Os pássaros agradeciam a presença do capim que eles usavam para fazer seus ninhos e cujas sementes lhe davam refeição saborosa.

A mata não estava perfeita como a menina queria, não podia ser chamada de um jardim, mas quem é que pode dizer como é que deve ser a perfeição? A menina viu que a natureza deu um jeito de resolver as coisas e que ela podia agora olhar para dentro de si.

Refletiu sobre as palavras do mago: “Você precisa ser boa para ser feliz”, e agora as interpretou de um outro modo. Era fundamental que ela fosse boa, antes de qualquer coisa, para si mesma, a fim de alcançar a felicidade.

Voltando ao seu chalé, colocou o cristal mágico sobre uma mesa e decidiu que viveria buscando caminhos novos. Decidiu que, a partir daquele dia, tudo ia mudar. O cristal mágico do auto-encontro iria nortear seus passos, pois dentro de si estavam todas as respostas. Olharia mais seu próprio jardim, cuidaria de suas próprias coisas.

A partir daquele dia, teve um universo maior de alternativas e, quando alguma árvore começava a chamá-la, tinha total liberdade de escolher se queria ou não interferir. Em virtude disso, as árvores aprenderam a crescer sozinhas. A menina, depois de alguns anos, foi chamada à aldeia. Os cinco pajés queriam saber como ela estava. Percebendo como havia se tornado sábia, permitiram que fosse, mesmo jovem, a sexta "anciã" da tribo que, com sua experiência, começaria a ajudar outras pessoas, sem jamais esquecer de si mesma.
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PRO-SER Instituto

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

66- TRANSIÇÃO








(sequência de fotos: Kau Mascarenhas, praia de Armação,- Salvador - Bahia)


Vi da janela o navio passando enquanto o sol nascia.
O que restou foi beleza.
E muita saudade...

(05 de janeiro de 2012, às 06:11h)


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

65- SOBRE OFENSAS E DANOS




Quem é o dono da ofensa?

(texto e ilustração de Kau Mascarenhas / www.proserinstituto.com.br)

A existência da ofensa não está relacionada obrigatoriamente à ação do ofensor, daquele que produz uma ação, pensamento ou comportamento.
Está em quem se sente ofendido.
Normalmente quem pensa, age ou fala de forma diferente dos que estão ao seu redor acaba gerando ofensas, mesmo que inexista a intenção de ofender.
O pastor Martin Luther King ofendeu uma maioria branca nos Estados Unidos quando, em seu discurso "Eu tenho um Sonho", propôs a existência de um mundo em que seres humanos poderiam viver em harmonia independentemente das suas diversas etnias.
Allan Kardec ofendeu aqueles que não conseguiam admitir o abraço de filosofia, religião e ciência na busca das respostas para as questões essenciais da vida como "de onde viemos?" e "para onde vamos?".
Giordano Bruno ofendeu a inquisição com suas ideias revolucionárias acerca do universo e da espiritualidade.
Francisco de Assis ofendeu seu pai rico quando preferiu viver na pobreza e abriu mão até mesmo da roupa do corpo, como metáfora de sua busca pelos tesouros da alma.
Jesus ofendeu líderes religiosos e políticos, e até mesmo o povo judeu, quando se mostrou como líder espiritual em vez de libertador político, propondo valores como amor e perdão aos que tinham os corações aprisionados pela fome de luz, pelo ódio e pela desesperança.
Sócrates ofendeu a sociedade ateniense quando incentivou o questionamento e a não aceitação de ideias vigentes, quando impulsionou a liberdade de pensamento, quando instou milhares de pessoas a não se acomodarem na ignorância.
E no cotidiano?
Um mal vestido ofende o fashionista quando desfila seu suposto mau gosto no mesmo cenário que ele.
Um gay ofende o homofóbico quando vive a liberdade de exteriorizar sua natureza sexual trocando um simples carinho com seu par em público.
Um marido ofende sua esposa quando não percebe seu novo estilo de cabelo que levou três horas para ficar pronto.
Um filho ofende seus pais quando decide não cursar medicina ou direito, opções vistas por eles como mais dignas e promissoras, e resolve cursar artes ou filosofia.
Uma esposa ofende seu marido quando resolve desenvolver-se em sua carreira ao invés de cuidar da casa e das crianças.
Um pobre ofende o rico, o feio ofende o bonito, o honesto ofende o corrupto e o realizador ofende o invejoso pelo simples fato de existirem.
A ofensa, enfim, estará em quem se sente ofendido.
Por isso falar de ofensa é diferente de falar de dano.
Se alguém me agride isso pode gerar danos em meu corpo ou desarmonizar meu mundo interno.
Assim como alguém pode causar ofensa não intencionalmente, pode também criar danos sem se dar conta.
Entretanto, na ofensa, é preciso que haja participação do ofendido.
Se um bebê que carrego no colo me dá um tapa no rosto é difícil que eu me sinta ofendido. Entretanto, se ele em sua inocência atingiu o meio do meu nariz e isso me causou dor, houve um dano.
Já se alguém me fez uma crítica de forma ferina, e se utilizou de adjetivos ácidos para se referir a mim ou a meu trabalho, posso escolher entender isso como uma ofensa ou como expressão do direito de alguém de ter seus próprios pensamentos e sentimentos a meu respeito.
E posso escolher me sentir mal com isso ou não, até mesmo posso sentir compaixão por perceber que suas observações não fazem sentido. Ou posso escolher prestar atenção e notar se o que essa pessoa me diz é coerente, se me revela um ponto a transformar em minha maneira de ser.
Não pode haver ofensa sem a participação de quem se ofende.
Mas pode haver ofensas tão recorrentes que, ao longo do tempo, se transformam em danos. Uma criança que cresceu ouvindo apenas comentários negativos a seu respeito pode ter sua autoestima fortemente abalada na vida adulta.
Desenvolver alteridade significa ser capaz de manter empatia e viver de uma forma sadia as relações “oferecendo ao outro aquilo que gostaria que o outro lhe oferecesse”. Podemos ainda estender esse princípio quando imaginamos que nem sempre aquilo que é bom para mim seria bom para o outro. Por isso em muitos instantes vai ser fundamental oferecer ao outro aquilo que ele gostaria que lhe fosse oferecido.
Sair do Eu e pensar no Nós, naquilo que é importante para quem está comigo e que tem consequências a partir daquilo que faço ou não faço torna-se capacidade fundamental para se viver lado a lado com outras pessoas.
Isso se dá tanto no âmbito maior da cidadania, como no micro espaço de uma relação a dois por exemplo.
Quando observamos as pessoas com quem nos relacionamos com mais cuidado e respeito podemos causar menos danos nos caminhos que percorremos.
Quando, por outro lado, nos conhecemos mais profundamente podemos perceber se o que causa a dor em nós é a ação do outro ou o simples fato de termos muitas feridas, afinal aquele que nos toca pode não estar nos machucando. O desconforto vem do fato de termos justamente naquele ponto uma porta aberta, uma vulnerabilidade, um complexo, um ferimento material ou subjetivo.
É importante ter condições de conhecer nossas feridas e fechá-las, ou nos ofenderemos à toa quando o outro não nos causou qualquer dano.
É importante igualmente ser simplesmente quem somos, mesmo que isso represente ofensa para aqueles que trazem suas feridas abertas ou que não sejam capazes de contemplar diferenças com respeito e acolhimento.
Pois há um ônus pesado que desaba sobre aquele que tem receio de ofender: é alguém que não pode viver de forma inteira.
Quem tem medo de ofender não pode ser diferente dos que o cercam.
Quem tem medo de ofender precisa ser, dizer e pensar exatamente da forma como querem que seja, diga e pense.
Quem tem medo de ofender não cria, não realiza, não inova.
Quem tem medo de ofender simplesmente não vive.